Reprodução da reportagem publicada no caderno Empregos do jornal Zero Hora, no dia 04/10/98 - p.24. Editora Interina: Marta Sfredo
Jogos ensinam a fazer bons negócios
Simulações ajudam profissionais a trabalhar sem riscos com situações do dia-a-dia, agora também pela Internet
Imagine se antes de tomar uma importante decisão na empresa, que pode significar o sucesso ou o fracasso de meses de negociação, o executivo tivesse a oportunidade de treinar antes. Uma simulação de todo o processo, um jogo. Esse recurso vem sendo adotado por muitas corporações para treinamento de seus funcionários. Os chamados jogos de empresas são utilizados em cursos de formação de líderes, avaliação de potencial, autogestão e, principalmente, no exercício de estratégias competitivas e gestão empresarial.
Agora, em versão mais moderna, as disputas ocorrem via Internet. No jogo, equipes de até quatro pessoas competem criando situações que emergem do dia-a-dia. No comando de uma empresa fictícia, os competidores são obrigados a tomar decisões gerenciais sob condições que simulam a realidade de um mercado altamente competitivo. Vence quem tomar as decisões mais corretas, avaliar a melhor estratégia e enfrentar com criatividade as turbulências econômicas. As decisões e relatórios dos participantes são transmitidos duas vezes por semana via e-mail e divulgados em um site.
- Com esse tipo de treinamento, você tem uma visão estratégica, acompanha o que está ocorrendo, o efeito e o resultado da sua decisão, além de testar coisas que serão muito úteis quando a situação for para valer. Os grupos acompanham as outras equipes e aprendem com o sucesso e com o fracasso das suas ações - avalia o professor Ricardo Spinelli, diretor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e coodenador do jogo.
- Algo como árbitro, governo e Deus - brinca Spinelli, PhD pela Universidade de Lancaster, na Inglaterra, na área de estratégia, jogos e simulações empresariais.
Na última edição do jogo, uma equipe gaúcha chegou entre os oito finalistas. Concorrendo com 36 equipes de executivos de importantes empresas como Xerox, Petrobras, OPP e BR Distribuidores, o Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, superou várias e fez pontos suficientes para passar à segunda fase. O grupo formado por Ério Nascimento, diretor de recursos humanos, Gustavo Hermes, gerente de controladoria, Milton Rosa, gerente comercial, e Marise de Luca, gerente de informática, reuniu-se para traçar alternativas de gestão para as ações do jogo.
- Ficamos surpresos com a nossa pontuação em razão da qualidade dos competidores. E mesmo o Mãe de Deus sendo uma empresa menor que as outras, nós não tivemos medo de ousar - diz Marise.
PARA QUE SERVE
No que podem ajudar os jogos empresariais: