Reprodução, na íntegra, da entrevista de Luciano Frucht publicada no Caderno Informática do Jornal do Brasil do dia 26/01/98 - p.6
Entrevista/Ricardo Spinelli de Carvalho
Revolução no Treinamento
Que
tipo de treinamento vocês levam aos executivos?
Somos uma empresa de treinamento e desenvolvimento empresarial que atua há dez anos com cursos abertos para onde as empresas mandam seus executivos para treinamento. Em nossos programas de desenvolvimento gerencial, os executivos, geralmente diretores ou gerentes sêniores, passam conosco um dia por semana, durante oito meses. Temos diversos outros programas, inclusive de curta geração, como o de estratégia e gestão, onde o foco é sempre muita troca de informação entre as pessoas, já que elas vêm de empresas de culturas totalmente diferentes.
Como vocês iniciaram com os Business games?
Nesses cursos começamos a utilizar muitos jogos de empresas. O business game é muito interessante porque gera competição entre os participantes e isso faz com que eles aprendam muito mais. Nesses jogos, cada uma vai administrar uma empresa simulada, concorrendo com os demais, e as decisões de um grupo são influenciadas ou influenciam as decisões dos outros. Os resultados são provenientes dessa mistura de casos. No business game, o que é decidido pelo grupo é implementado, levado a um modelo de simulação e esse modelo gera relatórios e resultados. Sua próxima decisão já é em função daqueles relatórios que você está recebendo. A coisa se passa, período a período, por várias situações de anos a frente, no espaço de dois ou três dias. É uma atividade muito dinâmica.
Como surgiu a idéia de levar essa atividade para a Internet?
Geralmente os alunos que passam pelos nossos cursos são executivos de grandes empresas que sempre comentam: "Seria tão bom se eu pudesse fazer isso com a minha equipe, lá na minha empresa!" Daí surgiu a idéia de fazer esse jogo via Internet. O objetivo é que o ex-aluno reúna sua equipe e tome decisões. Assim, ele cria uma equipe, recebe o manual por download e se prepara para a primeira decisão, com prazos que determinamos. Eles mandam pela Internet, avaliamos todas, emitimos relatórios e devolvemos via e-mail. O nome desse jogo é Strategy Internet Business Game. Estamos agora no segundo turno do campeonato. Num primeiro momento tivemos 12 equipes concorrendo em quatro grupos, por oito períodos. Daí saiu um vencedor de cada grupo. Agora, vamos partir para uma decisão final. Esse exercício de simulação representa o que é a realidade de uma empresa. Um lugar onde é sempre difícil recolher as informações e administrá-las.
O que vocês vêm sentindo com a realização desse treinamento na Rede?
A Internet facilita mais a comunicação. Imagine reunir 30 executivos de uma empresa num hotel e os custos que isso acarreta. Deslocamento, custo do hotel, equipamentos, instrutores. A relação de custo é de 10 para um, se comparado com o uso da Internet. Até bem pouco tempo, a maioria das empresas não conseguia fazer um programa desses. Era demais para uma empresa de médio porte. Só empresas de grande porte podiam fazer. Hoje, via Internet, até empresários de pequeno porte podem fazer. Para efeito de treinamento, a Internet vai ser uma grande revolução. Na verdade, já está sendo. Ela abre espaço para empresas que nunca tiveram acesso a esse tipo de treinamento. Empresas de pequeno porte, por exemplo, nunca poderiam fazer uma coisa dessas sem a Internet.
No que mais a Internet pode revolucionar o treinamento de executivos?
Até hoje é muito comum você convidar para vir ao Brasil professores estrangeiros para fazer palestras. Hoje você não tem mais necessidade disso. Pode fazer aulas interativas com o professor no exterior ou de qualquer lugar do Brasil. Vai ser uma revolução no treinamento de executivos de uma forma geral. Tudo com muita facilidade.
Mas perde muito na troca de informações entre os participantes, não?
Sem dúvida. Com a Internet você perde bastante dessa troca de informações, de cultura. Ela tira a interação entre as equipes que você consegue estabelecer quando um evento desses é realizado num hotel, por exemplo. Agora, não tira a interação na própria equipe, que pode ser mantida e eventualmente fazer com que os líderes estabeleçam contatos.
Que novos projetos vocês têm, aproveitando o uso da Internet?
Estamos trabalhando dois novos projetos. Um voltado para pequenas e médias empresas, com patrocínio de empresas que estão interessadas nesse público-alvo, para que a taxa de inscrição seja bem baixa. Outro público que vamos buscar é o que está terminando o curso de administração. Infelizmente, grande parte dos cursos de Administração não tem as ferramentas necessárias para fazer uma simulação de empresas. Então, a idéia é focar um jogo, também via Internet - que essa garotada que está na faculdade não tem mais a menor dificuldade - para alunos de último período do curso de Administração, com patrocínio também de empresas interessadas nesse público.